Conversando Sobre Gestão
Estratégica
Por Nildo Leite Miranda Filho
21/09/2002
Sabemos que manter a competitividade em alta é um
desafio permanente para todas as empresas. Uma das
“ferramentas” para sustentar essa capacidade é a gestão
estratégica. É um processo e deve ser de
responsabilidade da alta administração. Entretanto, deve
ser compartilhado com outros níveis de gerência, quando
houver, buscando o envolvimento e comprometimento de
todos para o planejar, o gerenciar, o executar, o
acompanhar e o de corrigir rumos quando necessário. É um
processo macro e essencial para a condução de um negócio
marcado nos dias de hoje pela necessidade de mudanças
muitas vezes radicais, inúmeras turbulências, etc.
A gestão estratégica pode ser implementada,
considerando-se as proporções e necessidades, em
grandes, médias e também pequenas empresas. Ao pensar em
adotá-la, faz-se necessário em primeira instancia, a
vontade e a disposição.
A partir do momento em que se decide realmente pela
gestão estratégica do negócio, o passo seguinte é a
elaboração do plano. Vale lembrar que se trata de
atividade que necessita de investimento em tempo e em
dinheiro. Faço essa lembrança por já ter visto planos
“engavetados” ou mau implementados. Não é uma tarefa “do
outro mundo” mas também não é simples. Exige, entre
outras coisas, informações consistentes, coerentes,
relevantes e em sintonia com o mercado, conhecimento
teórico-prático da área de planejamento estratégico,
postura, firmeza de propósitos, seriedade e liderança.
Na elaboração do plano, deveremos atentar para a
dimensão do tempo de abrangência e as etapas.
Quando citamos etapas, lembramos de que é elementar
analisarmos os ambientes da empresa.
Devemos considerar para a análise do ambiente externo os
seguintes componentes: econômico, político, legal,
demográfico, tecnológico, social e natural. Alem desses,
não podemos esquecer da análise da concorrência, da
probabilidade de novos competidores, dos produtos e ou
serviços que podem ou substituem os nossos em alguma
ocasião/situação, os fornecedores existentes e os
consumidores/clientes. Cabe analisar também as
tendências e os números do(s) segmento (s) de mercado em
que a empresa atua. Desta análise, identificamos as
oportunidades e as ameaças tanto presentes como futuros.
Bom lembrar que uma ameaça pode vir a tornar-se
oportunidade.
Para a análise do ambiente interno, consideramos, em
geral, os aspectos inerentes às áreas de Marketing,
finanças, recursos humanos e produção da empresa. Esta
análise tem por objetivo mostrar-nos as nossas
deficiências e qualidades, ou seja, nossos pontos fortes
e fracos. Não podemos esquecer de estabelecer uma
comparação com outras empresas do setor, sejam elas
concorrentes diretas ou indiretas ou, ainda, potenciais
concorrentes.
Após esta análise, elaboramos as declarações da “visão”
e da “missão” da empresa, ou seja, deveremos estabelecer
a posição que desejamos estar no futuro e as atividades
que deveremos concentrar nossos esforços para
alcançarmos tal posição.
Tanto para a visão quanto para a missão, devemos
defini-las de forma simples e clara. É preciso que todos
na empresa entendam, partilhem e sintam-se motivados.
Na missão, dentre os tópicos que podem ser abordados
podemos citar: tecnologia, qualidade, responsabilidade
social, compromissos com os clientes internos e externos
e com a sociedade. Chamo a atenção para procurar
evidenciar na “missão” o conceito do negócio.
Recomendo, após as declarações da “visão” e da “missão”
o estabelecimento dos “FaCS” (Fatores Críticos de
Sucesso) para o negócio. Os “FaCS” são um número
limitado de condições que asseguram a consecução da
missão da organização. São os aspectos-chave nos quais
as coisas têm que dar certo para obtenção dos resultados
esperados.
Elaboradas a “visão” e a “missão” e estabelecidos os
“FaCS” devemos declarar os “princípios” e os “valores”
que nortearão a empresa e que contribuam de forma
elucidativa. Para estas declarações “a prática deverá
refletir o discurso”. Não basta apenas escrever, devemos
praticá-las e o não cumprimento levará ao descrédito.
Normalmente, algumas dessas declarações envolvem
questões éticas. Não devemos apenas citá-las para “fazer
de conta” que praticamos na empresa e até
individualmente. A sociedade de uma forma geral não
aceita nem tolera mais ser ludibriada e enganada.
Ao partirmos para a definição dos objetivos da empresa,
uma outra etapa, lembramos que estes deverão ser claros,
entendidos, escritos e comunicados, quantitativos quando
for o caso, realizáveis para que funcionem como tensores
motivacionais, operacionalizáveis e consistentes. Deve
ser compartilhado e absorvido por todos os integrantes
da equipe.
Vencidas as etapas anteriores, a empresa deverá
identificar e desenvolver estratégias gerais e
funcionais, de forma combinada, para atuar,
posicionar-se e alcançar os objetivos propostos.
Para as duas etapas anteriores, devemos tomar o cuidado
para com o planejamento da estrutura da organização, ou
seja, entre outros assuntos, atentar para as instalações
e equipamentos, o estabelecimento de procedimentos
necessários e a
preparação dos colaboradores para o exercício das suas
atividades. Neste último aspecto, deveremos fornecer os
meios para auxiliá-los nos seus desempenhos e no
trabalho em equipe. Cabe, inclusive, uma melhor
identificação do perfil dos colaboradores para que
possam até trabalhar multidisciplinarmente e desenvolver
suas competências e potencialidades.
Agora é a hora de desenvolver um plano contendo as
ações. Essas ações devem derivar das estratégias.
Normalmente utilizamos um quadro contendo a descrição de
cada ação, como será desenvolvida e implementada, quem
será o responsável por cada uma delas, os prazos para a
implementação e quanto custará para a empresa.
A última etapa a ser elaborada é a de como será feito o
controle e a auditagem da gestão em curso. Recomendo,
entre outros pontos, medir o desempenho e comparar esse
desempenho medido com os padrões existentes, fazer uma
análise concentrada, desenvolver soluções alternativas e
tomar atitudes corretivas caso haja necessidade.
Alguns lembretes/recomendações importantes:
· Gestores deverão procurar ter a visão de negócio e não
apenas dos seus produtos e/ou serviços;
· Gestores deverão procurar repensar os seus e os
“paradigmas” da organização;
· Gestores não podem ser paternalistas;
· Gestores não podem e nem devem reter informações como
forma (ultrapassada) de assegurar o poder.
· A comunicação na empresa deverá ser em todos os
sentidos (de cima para baixo, de baixo para cima e
horizontalizada) e transparente, fortalecendo a
participação das pessoas em todos os processos. É nesse
novo ambiente que os colaboradores estão ganhando mais
espaço e contribuindo;
· Quando uma empresa decidir contratar profissionais no
mercado para auxiliá-las, sejam elas para colaborar
regidos por vínculo empregatício ou mesmo consultores
externos, deve avaliá-los em termos de conhecimento,
competência técnica, capacidade de relacionar-se e de
trabalhar em equipe, experiência, honestidade e caráter.
· Todos numa empresa devem atentar para a relação com os
fornecedores, comunidade onde está inserida, enfim, com
todos os públicos que, de alguma forma, fazem parte da
sua existência.
· É preciso que os gestores sejam líderes para ouvir e
dar a devida importância às sugestões, críticas e
análises dos colaboradores. Valorizar o que o cliente
interno diz é essencial para conseguir atender o cliente
externo superando suas expectativas. Não esquecer de que
a satisfação do cliente interno estará repercutindo na
satisfação e manutenção do cliente externo.
Nildo Leite é Consultor de Empresas, coordenador e
professor de cursos de pós-graduação e graduação em
instituições de ensino em Salvador-Bahia. É mestrando em
Marketing e Gestão Empresarial pela Universidade
Internacional de Lisboa – Portugal, pós-graduado em
Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing
(ESPM-SP), em Administração com ênfase em Recursos
Humanos pela Universidade Estácio de Sá (UES-RJ) e em
Estudos de Política e Estratégias Nacionais pela Escola
Superior de Guerra (ESG/ADESG-BA).