Chefes Difíceis: Quem São e o que Fazer
Por Ari Lima
30/04/2008
Você já conviveu com um chefe “mala”? Aquele tipo paranóico que acha
que todos conspiram contra ele, ou o tipo “Caxias” que conta até os
minutos quando você vai ao banheiro? Ou mesmo o pessimista, que acha
que tudo vai dar errado? Pois saiba que você não está sozinho,
chefes inadequados são uma espécie ainda não extinta e que povoam
muitas organizações, desmotivando os colaboradores, emperrando o
andamento normal das atividades e comprometendo a produtividade de
todos.
Em recente matéria publicada pela revista VOCÊ S/A (nº 103, janeiro
de 2007), a repórter Lílian Cunha aborda o tema, detalhando o perfil
de diversos tipos de chefes “difíceis”, e pedindo a especialistas
que comentem cada caso e apresentem sugestões de como os
funcionários deveriam conviver com eles.
Vamos comentar o assunto, aprofundando a abordagem e sugerindo
soluções às organizações, que são, em última análise, as maiores
interessadas em resolver a questão, além de serem as responsáveis
pela existência, em seus quadros, desta espécie profissional tão
danosa para sua sobrevivência.
Os principais tipos de chefes “difíceis” ou “malas” são:
· O preguiçoso – É aquele tipo que repassa todas as suas tarefas
para os subordinados. Aparentemente ele finge estar delegando, mas o
que faz mesmo é passar a bola, as tarefas e todo o serviço possível
para seus comandados, é preguiçoso e aproveitador. Este tipo é
omisso e irresponsável, pois nem sempre as tarefas “delegadas” estão
à altura de seus colaboradores, ocasionando erros e prejudicando o
resultado final.
· O paranóico – Imagina que todos conspiram contra ele, desconfia de
tudo e de todos, segura informações, conspira veladamente contra sua
equipe, e no final acaba dando motivos reais, a todos, para agir com
reservas em relação a ele. Este tipo gera desunião, desmotiva a
equipe e compromete a produtividade.
· O incompetente – Este chefe não está à altura do cargo, não tem
recursos técnicos nem gerenciais e, rapidamente, perde prestígio e
credibilidade, pois sua fama de incompetente se espalha por toda a
organização. Normalmente o chefe incompetente procura se cercar de
outros incompetentes também, o resultado é uma equipe fraca e
improdutiva.
· O ditador – Ele centraliza as decisões, as informações e até as
tarefas. Não delega e não confia. Acaba ficando sobrecarregado e
estressado, gerando tensão em suas relações com a equipe. O grupo
fica acomodado com a situação, ninguém cresce profissionalmente e
todos acabam frustrados profissionalmente. A tensão é alta e a
produtividade e motivação são baixíssimas.
· O “Caxias” – Este fiscaliza e controla tudo e todos, e as normas,
tarefas e horários são suas principais referencias. Prejudica o
resultado almejado pela organização em nome da eficiência no
cumprimento dos padrões de condutas e horários estabelecidos. Este
tipo de chefe engana muito as organizações por parecer eficiente, no
entanto, sua produtividade é baixa, pois não é orientado para
resultados.
· O antiético – Ele é obscuro, nunca abre o jogo, não cumpre
compromissos e não é confiável. É dissimulado e só confia em si
mesmo. Este tipo é especialmente prejudicial às organizações por
estar em cargo de confiança e ser confundido com a própria empresa.
Seus deslizes éticos logo aparecerão e poderão comprometer a imagem
da companhia.
· O estrela – Este quer aparecer sozinho, não suporta dividir o
sucesso com os subordinados. Inibe qualquer pretensão de inovação,
criatividade e novas idéias, a menos que sejam apresentadas como
suas. Ele desmotiva a equipe, pois tenta sempre aparecer sozinho.
Tem um marketing pessoal muito forte, e com isto engana seus
superiores, mas no final das contas os resultados reais de seu
trabalho são ruins e sua equipe é desmotivada.
· O desligado – Aquele tipo de chefe que esquece tudo, os
compromissos, as chaves, a agenda e até a hora das reuniões. Precisa
de uma “babá” para assessorá-lo. Se tiver uma boa equipe até que
pode funcionar bem, mas precisará ter outras qualidades. A médio e
longo prazo acaba perdendo prestígio com o grupo. Tem baixa
produtividade.
· O irresponsável – Este tipo não assume responsabilidades, não
admite erros, e sempre põe a culpa nos outros. Gera intranqüilidade
na equipe, pois procura sempre um bode expiatório para culpar.
Ninguém confia nele, e a equipe não consegue trabalhar motivada. O
resultado de seu trabalho é um desastre.
· O pessimista – Aquele tipo de chefe que nunca acredita no sucesso
e no potencial das pessoas. Pessimista por natureza é incapaz de
sonhar com algum projeto mais ousado. Precisa de alguém para motivar
sua equipe, pois ele é incapaz de fazê-lo. Extremamente prejudicial
para a organização.
É possível que muitas empresas nem mesmo acreditem na existência de
todos estes tipos de chefes, mas se fizerem uma rápida pesquisa na
internet, estas organizações ficarão espantadas em descobrir o
grande número de comunidades que existem no orkut falando sobre os
diversos tipos de chefes, e mandando mensagens nada lisonjeiras para
os mesmos. Com o objetivo de confirmar estas informações, basta
realizar uma pesquisa informal na chamada “rádio corredor” de
qualquer empresa, e verificar a opinião dos subordinados sobre suas
chefias.
Em nosso trabalho como empresário, consultor de marketing pessoal e
gestão de carreiras, encontramos frequentemente todos estes perfis
de “liderança” em diversas empresas e organizações, como também
perfis mistos, ou seja, chefes que podem ser uma combinação de dois
ou mais tipos apresentados, o que é mais grave ainda.
Estes tipos de chefias inadequadas geram algumas conseqüências
danosas para as organizações. As principais são as seguintes:
· equipes desmotivadas;
· baixa produtividade;
· perda de talentos para outras empresas;
· desperdício de mão de obra e de talentos;
· desperdício de recursos;
· tensão interpessoal;
· baixa qualidade dos serviços;
· falta de compromisso dos funcionários;
· produção emperrada;
· alta rotatividade de mão de obra.
Como vimos, as organizações têm um grande desafio pela frente, e
precisam enfrentar este assunto crítico para sua sobrevivência.
Sugerimos dois tipos de procedimentos que devem ser implantados
pelas empresas:
- em primeiro lugar, criar um sistema de avaliação de desempenho de
chefias, para identificar estes e outros tipos de “lideranças”
inadequadas. Inclusive com a implantação de entrevistas por ocasião
do desligamento de funcionários, para identificar possíveis
responsabilidades de uma chefia inadequada pela saída de um talento;
- em segundo lugar, criar um sistema de treinamento contínuo para as
chefias, gerências e supervisão, visando que estes importantes
cargos sejam ocupados por pessoas preparadas, não apenas
tecnicamente, mas principalmente em habilidades para trabalho em
equipe, liderança e relacionamento interpessoal.
Avaliar o desempenho e treinar as chefias são as principais tarefas
a serem realizadas por qualquer organização para obter um resultado
satisfatório de seus líderes organizacionais em todos os níveis.
Agindo assim, empresas privadas e outros tipos de organizações
conseguirão obter melhores resultados de suas equipes de trabalho,
pois boas lideranças conseguem motivar equipes e obter o melhor de
cada profissional.
Ari Lima é empresário, engenheiro, consultor em marketing pessoal e
gestão de carreiras e especialista em marketing e vendas. Desenvolve
treinamento em marketing pessoal e marketing jurídico para
profissionais liberais, empresas, escritórios e estudantes
universitários. Ministra cursos, seminários e palestras realçando o
lado prático e funcional do marketing e escreve artigos diariamente
para diversos sites e revistas. Além de uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de experiência prática em gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes de vendas, bem como atendimento a
clientes.