O Cliente sempre tem razão
Por Rogerio Martins
07/10/2008
“Sem levar em consideração seu cargo dentro da empresa ou
experiência, sua tarefa número um sempre será atrair, satisfazer e
preservar clientes. E todos têm clientes.” Esta frase de Paul R.
Timm extraída do livro “50 idéias poderosas para manter clientes”,
nos remete a uma reflexão fundamental: o cliente sempre tem razão?
Neste momento de grandes transformações no relacionamento entre
empresas e clientes pensar e discutir sobre este paradigma é
altamente relevante para a sobrevivência das relações comerciais. Há
aqueles que defendem integralmente que sim, o cliente sempre têm
razão. Porém, na outra ponta há os radicais do não. Em meio a tudo
isso temos a turma do “depende”, que vem crescendo e trazendo uma
visão mais ponderada sobre este assunto.
Para compreender melhor esta questão é fundamental lembrar como tudo
começou. A década de 90 é considerada um marco na difusão do
conceito e prática da dedicação total ao cliente. Foi nesta época
que surgiu a idéia de que o cliente é rei. Ou seja, o cliente sempre
tem razão. Os serviços de atendimento, regras e direitos do
consumidor e outras ações foram criadas para garantir um melhor
atendimento. Muitas empresas se desdobraram para atender a qualquer
custo o cliente. Algumas tiveram prejuízo, outras até faliram.
Confundiram atender bem com satisfazer todas as necessidades do
cliente, mesmo quando estas não fossem benéficas para a própria
empresa.
A padronização do atendimento também veio nesta passagem. O erro de
alguns foi exatamente perder a personalização. Nesta balada surgiu o
atendimento “robotizado”. Aquele onde o atendente repete frases
decoradas e muitas vezes sem perceber a real necessidade do cliente.
Felizmente o mercado vem amadurecendo. Os clientes estão mais
exigentes e mais informados. Por outro lado, as empresas estão mais
sensíveis e atentas a estas transformações. Porém, esta constatação
é insuficiente em si, como afirma Jacques Horovitz, em “Qualidade de
Serviço – A batalha pela conquista do cliente”: A percepção da
qualidade varia de um cliente para outro, e não é a mesma para o
comprador e fornecedor. Ademais, a qualidade de um serviço será
percebida de maneira diferente se este for novo ou amplamente
difundido, se o cliente o estiver descobrindo ou se for um usuário
experiente.
O fato é que a pergunta inicial sobre o cliente ter sempre razão ou
não é, atualmente, uma questão de ponto de vista. O cliente muitas
vezes, mesmo sem ter razão, acredita que está certo e, portanto, tem
sim razão. Porém, quando a razão do cliente conflita com os
interesses, valores e a razão da empresa não haverá acordo ou
satisfação de qualquer parte envolvida.
É preciso respeitar os direitos do cliente, mas também os princípios
que regem a organização. Se isto não ocorrer a empresa quebra.
Atender os anseios do cliente a qualquer custo nunca será um bom
negócio. A melhor estratégia comercial é aquela onde todos ganham.
Segundo William Ury, especialista em negociação e co-autor do livro
“Como Chegar ao Sim – A negociação de acordos sem concessões”,
qualquer método de negociação pode ser julgado imparcialmente por
três critérios: deve produzir um acordo sensato, se houver
possibilidade de acordo; deve ser eficiente; e deve aprimorar, ou,
pelo menos, não prejudicar o relacionamento entre as partes.
Diante disso, vale refletir sobre os valores fundamentais que regem
seu negócio. Até que ponto a empresa está preparada para atender os
diversos tipos de clientes e produzir relacionamentos duradouros. De
que forma os funcionários estão sendo treinados e preparados técnica
e comportamentalmente para lidar com este novo perfil de clientela.
Em que você acredita: o cliente sempre tem razão ou não?
Lembre-se: nem sempre o cliente terá razão, mas poderá acreditar
seriamente que sim. Portanto, cabe a você estabelecer um processo de
elucidação para gerar um acordo sensato, eficiente e que possa gerar
possibilidade de novos negócios.
Como fazer? Dois passos são fundamentais. O primeiro e mais
importante é ter claramente definidos seus valores, princípios e até
onde poderá chegar no relacionamento com o cliente. Isso será sua
referência, tanto para a empresa, quanto para si mesmo. E seja firme
na defesa destes princípios.
O segundo passo é conhecer seu cliente. Quanto mais informações você
possuir a respeito de seus clientes melhor será sua negociação. Terá
mais condições de atender suas expectativas e até mesmo recusar uma
negociação que seja negativa para qualquer das partes.
Por fim, vale pensar sobre uma frase que foi estampada no editorial
do The Wall Street Journal, em 1992: “Você pode demitir seus
clientes”. Sucesso.
Rogerio Martins é Psicólogo, Consultor de Empresas e Palestrante.
Especialista em Liderança e Motivação. Sócio-Diretor da Persona
Consultoria e Eventos. Autor do livro Reflexões do Mundo
Corporativo. Membro do Rotary Club de SP Santana (Distrito 4.430).