O Diferencial da remuneração:
X, Y ou Z?
Por Raúl Candeloro
18/12/2008
Uma das coisas mais importantes na motivação de
qualquer vendedor e, possivelmente, uma das mais
maltratadas é o plano de remuneração. Dependendo de
como a empresa paga, ela irá atrair um certo tipo de
profissional, estimular uma série de atos (positivos
ou negativos) e manter (ou afastar) os bons
profissionais que já trabalham na empresa.
Talvez tudo comece pelo que podemos chamar de teoria
X e Y da gerência de vendas (parafraseando
McGregor):
A teoria X diz que vendedores são todos preguiçosos,
não têm responsabilidade, precisam ser comandados,
são naturalmente egoístas, só pensam neles e não na
empresa. Finalmente, os vendedores são espertos e
malandros, mas, na verdade, não são muito
inteligentes. Se fossem inteligentes, não seriam
vendedores. (Esse é o típico gerente linha dura –
vendedor é na base da chicotada)
A teoria Y diz o contrário: vendedores têm
iniciativa natural. Se ficam preguiçosos é por culpa
do tratamento que a empresa dá a eles ou porque
alguma coisa está errada. Todas as pessoas têm
potencial para se desenvolver e assumir
responsabilidades. Finalmente, para quem acredita na
teoria Y, é necessário alinhar os objetivos da
empresa aos objetivos pessoais dos vendedores para
realmente alcançar o sucesso.
Veja que diferença essas posturas podem ter na
definição da remuneração de uma equipe. Imagine, por
exemplo, dois cenários completamente diferentes:
A empresa “A” remunera com 100% de comissão. O
vendedor é quem paga as suas despesas e existe uma
bonificação por volume.
A empresa “B” fornece carro, paga gasolina e oferece
um plano de carreira. Entretanto, paga um salário
fixo + uma pequena bonificação.
Qual tipo de vendedor ou vendedora seria atraído e
motivado por cada um desses planos? Com certeza
seriam pessoas com características completamente
diferentes. Um plano de remuneração também estimula
os vendedores a se dedicarem a determinadas
atividades. Vamos continuar imaginando nosso
cenário:
A empresa “A” paga 2,5% de comissão sobre todas as
vendas feitas até o volume do ano anterior. A partir
daí, paga 7,5% (ou seja, sobre todas as vendas
feitas além do volume vendido no ano anterior).
A empresa “B” paga salário fixo + 20% de
bonificação, sendo que a bonificação leva em conta
três itens: satisfação dos clientes, lucratividade e
treinamento.
Está na cara que os vendedores dessas empresas vão
ter comportamentos completamente diferentes. Os
primeiros serão verdadeiros pit bulls (como gosto de
chamar o meu amigo Luppa), ou caçadores – sempre em
busca de novos mercados, prospectando muito e
abrindo novas frentes. Raramente trabalharão em
equipe. Os segundos serão mais agricultores,
procurando a satisfação e a lealdade de clientes,
talvez nem se preocupem em prospectar novas
oportunidades.
E qual seria o certo ou o errado? Depende, lógico,
de uma série de fatores: posicionamento da empresa,
o que se espera do vendedor, ciclo de vida do
produto ou serviço, grau de concorrência. Antes de
mais nada, depende do seu processo de vendas.
Pouquíssimas empresas, infelizmente, planejam e
estudam o seu processo de vendas. Sem fazer isso,
fica difícil recrutar e selecionar, treinar e
remunerar corretamente uma força de vendas.
Você pode reconhecer um bom plano de remuneração
quando ele atinge estes objetivos:
Atrai e mantém motivadas as pessoas corretas.
Estimula atividades e comportamentos positivos.
Valoriza a satisfação dos clientes.
Incentiva a busca pela lucratividade.
Um bom plano de remuneração é também um diferencial
competitivo e uma vantagem estratégica. As empresas
de vendas diretas talvez sejam as que melhor
entendem isso, por isso também investem tanto tempo
no planejamento do plano de remuneração (daí vem
muito de seu sucesso). O dinheiro, como toda
ferramenta, pode ser usado de maneira positiva ou
negativa. A sua força é poderosa, e vale a pena
investir para direcionar de forma construtiva toda
essa energia.
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante
e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e
Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais,
Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas.
Formado em Administração de Empresas e mestre em
empreendedorismo pelo Babson College, é responsável
pelo portal www.vendamais.com.br.