Oferenda aos Deuses
Por Ivan Postigo
15/01/2011
O reconhecimento é fator importante na vida do homem.
Como o artista que precisa das palmas, deixando o palco ovacionado
e, orgulhoso, volta para o bis, assim também anseiam os homens
comuns e os governantes.
Aceitação, visibilidade, reconhecimento, gratificação.
Na outra face da moeda está a obscuridade. A dor de não significar
algo para muitos.
Não raro, encontramos situações em que o enorme amor de uma pessoa
por outra não é suficiente para apagar a realidade do ostracismo ou
da falta de reconhecimento.
A peça de teatro sem público, a música não cantada, o quadro não
admirado, a beleza não notada, o esforço não observado, o ser humano
não notado.
Passa a moça, ninguém olha. Fala o rapaz, ninguém ouve.
A moça com seu melhor discurso, não observada. O Rapaz, em seu
melhor terno, indiferença!
Como um dos melhores exemplos de ser humano, temos Madre Teresa de
Calcutá. Em sua imensa sabedoria e conhecimento de nossas carências
disse, certa vez, que “o mais miserável, o mais trágico da pobreza,
não é a falta de pão e de teto, mas a sensação de sentir-se nada”.
A contundência de suas palavras provoca ecos.
Doloroso para o homem, trágico para o artista e para a arte.
A carência de identificação, de estima pública, expõe toda
fragilidade humana.
Por outro lado, seu destaque, sua relevância propalada, torna o ser
comum um semideus.
Um palco, um artista, uma guitarra, cem mil pessoas, um só canto, a
glória!
Seguidores, imitadores, covers, bebem da fonte que os satisfazem.
Jovens? Não! Juventude...
Alexandre O Grande, carregando sempre a Ilíada, dizendo-se parente e
o novo Aquiles, visitou seu túmulo passando por Tróia. A herança
pelo DNA, ainda que utópica.
Ah, Homero, seus contos, seus registros...
Criam-se deuses, fazem-se lendas.
Lendas de homens, lendas de fatos.
O jeans roto, a velha estrada, a viagem imaginária. Histórias
contadas, escritas, tocadas. Nas letras em uma folha, no som de uma
voz, na estridência de uma corda, no toque de uma tecla.
Marcas que marcas deixam. Marcas que marcas criam.
Lembranças de um passado, registro do presente, promessas de futuro.
Marcas que destacam feitos, que valorizam produtos. Ícones elevados
ao Olimpo, morada dos deuses.
Marcas que visionários deixam para o homem comum que as ostentam em
busca de reconhecimento, identificação e diferenciação.
Tê-las é pertencer a um grupo, integrar uma tribo, ser abençoado com
a insígnia.
Nos pés, no corpo, na cabeça. O traço, a estrela, a cor.
Uma conquista para a qual a homem não mede esforços, nem discute sua
perenidade.
Toda dedicação é pouca, todo esforço é merecido. A recompensa?
Ostentar a marca que marca!
Marcada a tinta no produto, a fogo na memória.
Sábios que as criam, poderoso quem as domina.
Nas vitrines expô-las é mandatório.
Nesse altar serão feitas as oferendas aos deuses.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado
em controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas
para estruturação de carreira na área de vendas e diretor da Postigo
Consultoria de Gestão Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 )
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