Visão Empresarial: Comprometimento ou
aceitação
Por Ivan Postigo
10/11/2010
Uma tarde estávamos em reunião debatendo
os planos para o ano que se aproximava,
então foi apresentada uma reflexão que o
grupo julgava poderia ser caminho a ser
seguido e os resultados que seriam
gerados.
Todos ouviram com atenção e um dos
sócios disse: “ Interessante, obtendo
sucesso vocês ficarão ricos!”.
Imediatamente seu sócio saltou na
cadeira e disse: “Eles não, eu ”, como
se naquele momento não tivesse
participação nos resultados.
Foi difícil trazer o pessoal de volta ao
debate, mesmo assim logo encerramos a
reunião.
Ficava claro que aquela expressão dizia,
minha visão e meus resultados e sua
visão, mas meus resultados.
Como gestores temos que ter em mente que
a minha visão não é importante para
você, a única visão capaz de motivá-lo é
sua visão, como diz Peter Senge.
Visão compartilhada é fundamental para a
se obtenha o comprometimento com a
criação do futuro, caso contrário haverá
apenas a aceitação.
Imagine estas situações no
estabelecimento da declaração de visão:
Uma ou duas pessoas a redigem ou apesar
de ser resultado da reunião de grupo
prevalece a posição dessas pessoas.
As pessoas reunidas não terão o menor
sentimento de propriedade da visão,
considerarão apenas que cumpriram a
tarefa.
A declaração redigida pode seguir alguns
caminhos: Ser emoldurada num quadro de
vidro e afixada nas paredes, poucos
saberão dizer exatamente o que está
escrito naquele documento. Pode fizer na
gaveta da secretaria ou em algum lugar
de forma que quando solicitada se torna
um trabalho arqueológico encontra-la.
Já me deparei com casos onde a
declaração de visão foi revisada e
ninguém na empresa era capaz de dizer
qual versão estava valendo, “não havia
sido datada”. A princípio sugestão de
colocar uma data resolvia tudo.
Qual a importância que essa declaração
tinha para as pessoas que lá
trabalhavam?
Com o que deveriam se comprometer?
Isso não demonstra que não estavam
comprometidos com a empresa, não estavam
comprometidos com aquela declaração.
Poderia a declaração estar em
consonância as suas atitudes na
construção do futuro da organização?
Dificilmente, estava claro que as
palavras ali colocadas à eles não faziam
sentido.
Não tinham se importado de fato no
momento da preparação, foi guardada de
forma displicente, não estava afixada,
não era objeto de constante observação e
reflexão, não se sentiam proprietários
daquela declaração.
Visão compartilhada leva ao
comprometimento, ao compartilhamento de
futuros alternativos e a identificação
de modelos mentais, o que facilita
significativamente a observação de
mudanças no mundo empresarial e a
geração de respostas mais rápidas,
eficazes e eficientes.
A falta de comprometimento, liberdade
para argumentação e indagação, impede
que em reuniões os problemas sejam
levantados e expostos como são feitos
fora destas.
Quando a meta é vencer um debate
prevalece a argumentação, a indagação
deixa ser um recurso válido, cada
componente não se importa em saber o que
o outro pensa, uma vez que isto pode
levá-lo a exposição de seus pontos
fracos. Ambientes altamente políticos
não são abertos a indagações.
Comportamentos defensivos levam as
pessoas a se fecharem e à uma menor
motivação e criatividade.
Grupos buscam uma visão compartilhada
com um só desejo: Participar de algo
grande e importante.
A visão para a empresa não é importante
pelo que declara, mas pelo que realiza e
pode fazer pelo futuro desta.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em
contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro:
Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor
da Postigo Consultoria de Gestão
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