A Estratégia da Lealdade
Por Raúl Candeloro
26/06/2009
Se você é uma daquelas pessoas que acha
que fidelização e lealdade de clientes
podem ser conquistadas apenas por caros
sistemas de CRM, que somente grandes
empresas podem utilizar, espero que este
artigo ajude-o a mudar de opinião.
A estratégia da lealdade pode ser
utilizada por qualquer empresa, de
qualquer ramo, inclusive pela sua. O
marketing de relacionamento, utilizado
para alcançar maior competitividade e
lucratividade, nada mais é do que o
gerenciamento das atividades de atração,
manutenção e aumento contínuo do nível
de relacionamento com o cliente.
É importante entendermos a razão pela
qual um cliente volta a comprar ou fazer
negócios conosco e é aqui que entramos
na estratégia da lealdade. A estratégia
da lealdade é abordada através de 4
níveis. Vamos a eles:
Nível 1 - Relação financeira: é o nível
de fidelidade que o cliente tem com
empresas que praticam preço baixo. Ou
seja, o cliente sempre volta a comprar
aquele produto ou serviço porque é o que
tem menor preço. O cliente tem um
vínculo financeiro com a empresa.
Apesar de funcionar bem, como podemos
verificar no sucesso que algumas
empresas têm, deve tomar-se um grande
cuidado se a estratégia estiver no
vínculo financeiro pois, a partir do
momento em que essas empresas não mais
oferecerem o preço mais baixo, perderão
seu diferencial e seus clientes irão
para a concorrência que desenvolveu
outro tipo de estratégia de lealdade. O
vínculo financeiro é muito frágil. E nem
sempre o cliente irá dar preferência
para o preço mais baixo, mas sim para o
que tiver melhor custo-benefício para
ele. Por isso chamamos de cliente
eventual.
Nível 2 – Relação social: é o nível onde
os clientes voltam a comprar o produto
ou serviço por questões puramente
sociais, ou seja, porque conhecem o
dono, porque são amigos do vendedor,
porque a loja fica no bairro, etc. É um
cliente regular.
Esse nível já não é tão frágil, pois
baseia-se em indicações e preferências
emocionais dos clientes. Porém, ainda
assim tem muitas falhas, uma vez que
esses vínculos sociais são mutáveis.
Nível 3 – Relação customizada: é quando
o cliente começa a perceber os atributos
do produto ou serviço oferecido e o
valor que tem para ele. Ou seja, começa
a voltar naquela loja, a comprar
matéria-prima daquele fornecedor, a
almoçar todos os dias no mesmo
restaurante, a ficar sempre no mesmo
hotel, tudo porque começa a perceber que
aquela empresa realmente está oferecendo
os atributos que ele valoriza – e está
disposto a pagar por eles.
Essa estratégia já tem uma grande
vantagem sobre a financeira e a social,
pois começa a lidar com o conceito de
“valor para o cliente”. A maioria das
empresas encaixam-se aqui (ou pelo menos
tentam), oferecendo um produto ou
serviço adequado para agradar a maioria
de seu público-alvo. É uma tentativa de
segmentação. Um exemplo fácil de
entender é o McDonald’s: foi feito para
pessoas que gostam do estilo de comida e
querem comer rápido. Veja que a
estratégia deles está na padronização e
não na adaptação, e o cliente que gosta
dos atributos de seus produtos sai
satisfeito e volta, mesmo que não haja
personalização. E ainda indica para os
amigos. Chamamos estes de clientes
defensores.
Nível 4 – Relação integrada: é quando
você praticamente une todas as 3
estratégias apresentadas, oferecendo
atributos que o cliente valoriza, por um
preço que ele está disposto a pagar, e
ainda integra um certo grau de adaptação
para que esses atributos sejam maleáveis
a ponto do cliente receber apenas o que
tem interesse. Se ele quer um sanduíche
sem picles, ele terá e rapidamente.
Por exemplo, a rede de hotéis Accor que
possui hoje 6 marcas: Sofitel, Novotel,
Mercure, Ibis, Formule1 e Parthenon.
Veja que cada uma dessas marcas tem uma
segmentação diferente. Assim, a Accor
oferece opções integradas para seus
clientes, possuindo ainda plano de
fidelidade (incentivando os clientes a
se hospedarem em uma das marcas da rede)
e sendo socialmente responsável, com
vários projetos que ajudam o
meio-ambiente e a sociedade. Este
clientes são fiéis e leais, por isso
chamamos de parceiros.
Solidificar relacionamentos, transformar
clientes indiferentes em leais e
servi-los com qualidade são as melhores
maneiras de aumentar vendas e melhorar a
qualidade delas. Em que estratégia da
lealdade seus produtos ou serviços se
encontram? Como passar para o próximo
nível?
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é
palestrante e editor das revistas
VendaMais®, Motivação® e Liderança®,
além de autor dos livros Venda Mais,
Correndo Pro Abraço e Criatividade em
Vendas. Formado em Administração de
Empresas e mestre em empreendedorismo
pelo Babson College, é responsável pelo
portal www.vendamais.com.br.