Para Carl Gustav Jung, a
existência do
inconsciente coletivo
não depende de
experiências
individuais, como é o
caso do inconsciente
pessoal, porém, seu
conteúdo precisa das
experiências reais para
expressar-se, já que são
predisposições latentes.
Jung chamou de
arquétipos a estes
traços funcionais do
inconsciente coletivo.
Salienta ele: “Existem
tantos arquétipos
quantas as situações
típicas da vida. Uma
repetição infinita
gravou estas
experiências em nossa
constituição psíquica,
não sob a forma de
imagens saturadas de
conteúdo, mas a
princípio somente como
formas sem conteúdo que
representavam apenas a
possibilidade de certo
tipo de percepção e de
ação.”.
Os arquétipos não são
observáveis em si, só
podemos percebê-los
através das imagens que
ele proporciona.
Continua Jung: ““
“Imagens” expressam não
só a forma da atividade
a ser exercida, mas
também, simultaneamente,
a situação típica no
qual se desencadeia a
atividade. Tais imagens
são “imagens
primordiais”, uma vez
que são peculiares à
espécie, e se alguma vez
foram “criadas”, a sua
criação coincide no
mínimo com o início da
espécie. O típico humano
do homem é a forma
especificamente humana
de suas atividades. O
típico específico já
está contido no germe.
"A idéia de que ele não
é herdado, mas criado de
novo em cada ser humano,
seria tão absurda quanto
a concepção primitiva de
que o Sol que nasce pela
manhã é diferente
daquele que se pôs na
véspera.”
Jung salienta que o
mérito da observação de
que os arquétipos
existem não pertence a
ele e sim a PLATÃO, com
seu pensamento “de que a
idéia é preexistente e
supra-ordenada aos
fenômenos em geral.”
Outros pensadores como
ADOLF Bastian,
evidenciam a ocorrência
de certas “idéias
primordiais...” e
outros, mais tarde, como
DÜRKHEIM, HUBERT e MAUSS
“que falam de
“categorias” próprias da
fantasia” e ainda Hermam
USENER que reconhece “a
pré-formação
inconsciente na figura
de um pensamento
inconsciente”.
A contribuição de Jung
se dá, entretanto, nas
provas obtidas por ele,
que os arquétipos
existem e aparecem sem
influência de captação
externa. De acordo com
Jung esta constatação
“significa nada menos do
que a presença, em cada
psique, de disposições
vivas inconscientes, e,
nem por isso menos
ativas, de formas ou
idéias em sentido
platônico que
instintivamente
pré-formam e influenciam
seu pensar, sentir e
agir.”.
Alguns arquétipos foram
amplamente enfatizados
por Jung, pois permeiam
o desenvolvimento da
personalidade e
invariavelmente estão
bem próximo de nós, no
nosso dia-a-dia e são
mobilizados, pela
psique, tão logo surja
uma situação típica.
Vanilde Gerolim Portillo
- Psicóloga Clínica -
Pós-Graduada e
Especialista Junguiana.